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  • Núcleo 01

    Antes da República:
    Os Centros republicanos

    O discurso estratégico dos republicanos, sobretudo a partir de 1870, apresentava-os como a alternativa credível, moderna e regeneradora da Pátria também do ponto de vista educativo. Propunha reduzir o analfabetismo (cerca de 80% em 1890), criar instituições de educação pré-escolar adequadas, uma rede de escolas primárias eficaz, gratuitas, de frequência obrigatória e neutras do ponto de vista religioso, com planos de estudo individualizados, aliando teoria e prática, trabalho indivi-dual e colectivo.

    Cresceu o movimento associativo junto dos professores, bem como o número de Sociedades Patrióticas e Centros Republicanos, instituições fundamentais para a divulgação não só do ideário político e cultural mas, também, do ideário educativo republicano, muitas vezes apoiadas pela Maçonaria. Tinham habitualmente salas de jogos, bibliotecas, escolas infantis e primárias associadas e ofereciam, por vezes, educação para adultos ou jovens fora da idade escolar, em aulas nocturnas, com o novo método de ensino da leitura, na Cartilha Maternal de João de Deus.

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  • Núcleo 02

    O Pensamento pedagógico
    Os pedagogos da República.

    No plano educativo estava em causa a regeneração da Pátria, fazer da utopia uma realidade, alcançar a plena cidadania, a dignificação de um Homem crítico e livre.
    Alguns pedagogos encaravam a escola como um templo cívico, que desenvolveria um projecto de formação integral, auto-regulada, orientando os cidadãos na construção do seu próprio futuro, contribuindo para a formação de um Homem Novo. Outros defendiam a criatividade, a autonomia e contrariavam a função moralizadora, social e integradora do ensino, a manipulação educativa pelo poder.
    Apesar dessas divergências, a maior parte dos pedagogos associou a modernidade pedagógica aos valores da Educação Nova: o aluno devia conhecer a realidade, valorizar a experiência, sair do espaço escolar, aprender um ofício.
    Surgiram escolas pedagogicamente diferentes das tradicionais, tentando conciliar as descobertas da psicologia do desenvolvimento cognitivo com os recursos pedagógicos proporcionados pelo meio, a adequação ao nível etário, o aperfeiçoamento da aprendizagem prática a partir das «lições de coisas».

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  • Núcleo 03

    A educação cívica e patriótica.
    Formar cidadãos.

    A legitimação social da República utilizou diversos símbolos. Uns representam a herança histórica de uma nação, uma identidade construída e mantida com o esforço de homens e mulheres, heróis do imaginário português; outros pretendem associar o novo regime a uma modernidade renovadora.

    A nova bandeira reúne elementos historicamente consensuais, relacionados com a independência nacional e os Descobrimentos e, por outro lado, as cores da batalha e do riso, da esperança na mudança. O hino por sua vez é um canto patriótico que invoca períodos nobres da história de Portugal, a combatividade e a independência. Também a nova moeda se legitima na esfera armilar e no rosto de uma mulher com um barrete frígio, símbolo de liberdade.

    Educar civicamente os cidadãos, republicanizá-los, era para os mais radicais um dever. O Estado deveria interferir na escola, fazer a apologia dos velhos e novos heróis, dos mais importantes acontecimentos históricos quer passados quer recentes. Educar pela Pátria era o ponto de partida para transformar a aprendizagem em cidadania.

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  • Núcleo 04

    Os manuais de ensino
    (Sala Biblioteca)

    Qualquer manual de ensino é uma forma de representação. Utilizado como recurso fundamental, como guia dos programas e do tipo de aulas a desenvolver, acaba por construir uma memória institucional da ciência, da técnica e da metodologia, mas também de um País e dos seus heróis. Diferentes épocas históricas e diferentes formas de educar se podem perceber.

    Na República reformou-se a ortografia. Essa reforma, a par de uma simplificação da fonética que se considerava mais adequada para o combate ao analfabetismo surge nos diversos manuais de ensino publicados e adoptados, onde também se exalta a natureza, a ciência e o método experimental.

    No entanto, por incapacidade financeira da República muitos manuais anteriores a 1910 continuaram em vigor.

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  • Núcleo 05

    A República e o ensino primário

    A reforma da instrução de 29 de Março de 1911 insistiu sobretudo no ensino primário. João de Barros e João de Deus Ramos desejavam implementar uma reforma pedagógica revolucionária que não atendia, no entanto, aos constrangimentos financeiros e até culturais do País.

    Foi criado oficialmente o ensino infantil para os dois sexos, jardins-escolas em cada um dos bairros de Lisboa e do Porto, nas capitais de distrito e nas sedes dos principais concelhos.

    O ensino primário, em regime de coeducação, distribuiu-se pelos graus elementar, obrigatório, dos 7 aos 9 anos, complementar, de dois anos e superior, de três anos.

    Pretendeu-se que os Municípios se res-ponsabilizassem pela construção e equipamento das escolas, bem como pelo recrutamento e pagamento aos professores e consignou-se o aumento do ordenado do professor primário (que só entraria em vigor em 1917).

    A ideia de que era fundamental formar os professores numa instituição pedagógica apropriada e digna consolidou-se e, em 1918, a Escola Normal Primária de Lisboa passou do Calvário para Benfica.

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  • Núcleo 06

    Ensino secundário.
    Os liceus

    Com a República aperfeiçoaram-se as grandes transformações que se tinham verificado no ensino liceal desde os finais do século XIX. O tempo do liceu passou a ser o tempo da compartimentação controlada em espaços, em horas, em disciplinas, em actividades que pressupunham uma complexidade crescente, consoante o ano lectivo correspondente.

    O professor do ensino liceal devia ser um especialista. A licenciatura numa área deixou de ser, no entanto, condição suficiente: para além da especialização científica, os professores deviam profissionalizar-se, formar-se nas Escolas Normais Superiores, anexas às Faculdades de Letras e de Ciências, com disciplinas de Pedagogia e Metodologia e ainda com um estágio prático, realizado nos próprios liceus.

    Por seu turno o aluno devia ficar preparado não só para o ensino superior mas, também, para servir e representar o País enquanto cidadão autónomo e responsável, devidamente preparado a partir dos saberes científicos e práticos.

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  • Núcleo 07

    Ensino Técnico e Profissional

    A formação profissional foi uma das áreas a que a República prestou maior atenção. Reformulou-se o ensino industrial e comercial – o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa dividiu-se em Instituto Superior Técnico e Instituto Superior de Comércio. Tentou regulamentar-se o ensino médio industrial e comercial e, em 1914, surgiu a Escola de Construções, Indústria e Comércio.

    Progressivamente foram surgindo escolas para várias áreas do saber industrial, bem como escolas para diferentes vertentes do ensino comercial. O objectivo era um ensino prático, centrado no “saber-fazer”, mas que fornecesse aos alunos uma cultura geral e contribuísse para a formação de um espírito empreendedor. Pretendia também fornecer-se uma alternativa ao ensino liceal para quem, por razões diversas, não tinha possibilidades de frequentar o liceu.

    Tentava reconhecer-se oficialmente as competências adquiridas naquelas escolas técnicas e, dessa forma, valorizar socialmente aqueles profissionais.

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  • Núcleo 08

    Ensino científico e experimental
    Os laboratórios

    O cidadão republicano ou republicanizado deveria ser laico, racional, educado através do método científico, da experiência prática, das Ciências Naturais. Positivista, deveria conseguir separar o Estado, a família e a educação da Igreja, dos seus princípios. Mais liberto de antigas teias que o condicionavam, estava compelido a disciplinar-se para cumprir o seu dever, agora essencialmente cívico e patriótico, fazendo coincidir os seus interesses pessoais com os do Estado.

    Neste sentido, um novo ensino científico e experimental poderia criar esse novo Homem, desperto para a necessidade de utilizar o método de observação, análise e experimentação em todos os aspectos da sua vivência social, política e cultural. Não se abandonou o ensino das Humanidades, mas reafirmou-se a importância das Ciências Naturais, tendência anterior que agora adquiriu nova visibilidade.

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  • Núcleo 09

    A Universidade

    Tentando cumprir o seu alargado programa educativo, os republicanos criaram duas universidades, no Porto e em Lisboa, mantendo obviamente a que existia, em Coimbra.

    Pela reforma do ensino superior em 1911 tentou atribuir-se um pendor menos teórico às “aulas magistrais”, tentou implementar-se um método de trabalho mais experimental, menos retórico. Pela primeira vez atribuiu-se dignidade à formação de professores do ensino liceal, realizada nas Escolas Normais Superiores anexas às Faculdades de Letras e de Ciências, embora na prática tenha havido problemas relacionados com falta de espaços adequados e de professores especializados. Mas também aí tentou conciliar-se a teoria e a prática e essa tentativa de conciliação que se verificou nas propostas para o ensino superior constituíram, na verdade, uma mudança de paradigma.

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  • Núcleo 10

    A mulher e o ensino

    O papel da mulher na sociedade, na educação das futuras gerações e na formação cívica e moral dos cidadãos era tido como essencial e amplamente divulgado pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, fundada ainda durante a Monarquia.

    Debateu-se amplamente a sua educação doméstica e profissional na sociedade civil. Discutia-se se deveria ter apenas uma educação geral ou também uma educação profissional, que lhes permitisse integrarem-se no mundo do trabalho. Reconheciam-se-lhes direitos cívicos mas não políticos e a Associação de Propaganda Feminista apelava à possibilidade de votarem, reivindicava a igualdade de direitos e a igualdade à educação.

    A educação representou para as mulheres a possibilidade de se autonomizarem economicamente, uma maior capacidade crítica e, nesse sentido, interventiva.

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  • Núcleo 11

    Sala da árvore:
    a festa da Árvore

    As ideias de solidariedade, afectividade, fraternidade e regeneração foram centrais na República. A «festa da árvore» associava-se simbolicamente à regeneração da sociedade e tinha sido divulgada pela Maçonaria ainda antes de 1910. No entanto, após a República, aquela festa-metáfora foi promovida a nível nacional pelo Século Ilustrado, a partir de 1913, e permaneceu uma constante sobretudo até finais da Iª Guerra.

    A Festa Nacional da Árvore realizou-se por todo o país e foi divulgada como uma festa cívica e democrática, reunindo todos os grupos sociais. Servia também para consagrar novos símbolos do regime, como a bandeira e o hino mas, também, para reafirmar a importância que a escola tinha para a formação do carácter, no amor pela natureza e pela vida.

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